21 Dezembro 2011

Um Papai Noel intelectual

Martinho Krebs, que há dez anos faz o papel do bom velhinho, também é teólogo, filósofo e músico

[Foto: Divulgação/Iguatemi]

Aos 61 anos, Martinho Krebs demonstra muito alegria no que faz. Há dez anos, sua missão é representar o Papai Noel. Em época de Natal, são mais de 40 dias seguidos de trabalho sob a árvore do shopping Iguatemi, atendendo as crianças e, com sua gentileza e boa conversa, encantando até os adultos.

Com formação em Teologia e Filosofia, o bom velhinho tem pós-graduação em gerenciamento empresarial e também é músico. Gosta de música clássica e orquestrada. Já cantou no coral sinfônico da Ospa, deu aulas de piano, toca órgão “de tubos” e estudou trompete.

Fluente em alemão, bom entendedor de inglês, adepto do portunhol, é um Papai Noel Intelectual. Bastante religioso, foi pastor da Igreja Luterana durante 37 anos. Todas estas qualificações fazem sua responsabilidade aumentar diante das crianças.

Martinho considera que uma das suas missões ao representar a figura do bom velhinho é ensinar as crianças a serem bondosas e acessíveis. “Conversar e dar um afago nas crianças que vêm pedir um abraço e demonstram carinho”, comenta ele, lamentando a falta de referências paterna e até materna que muitas vezes percebe.

“As crianças e os adolescentes precisam de conselhos e bons exemplos”, acrescenta. Martinho carrega consigo dois lemas: 1) “não preciso ser bom, só preciso estar em boa companhia” e 2) “ser útil é bom para os outros; sentir-se útil é bom para nós mesmos”.

Martinho mora no bairro Jardim Itú Sabará, na Zona Norte. É casado com Heloisa, sua “assessora de marketing” e dona da agenda do Papai Noel, tem três filhos e duas netas gêmeas. Passado o Natal, ele faz a barba e corta o cabelo para aproveitar o Verão. Em maio volta a cuidar do visual para o próximo fim de ano.

Clique aqui e encontre o Papai Noel Martinho no Facebook.

Publicado originalmente no Jornal Via Norte,
edição 110, dezembro de 2011.

01 Novembro 2011

Banrisul vai vender área dos prédios abandonados no Jardim Leopoldina

Imóvel foi avaliado em mais de R$ 2,6 milhões. Transação pode ser o início de uma solução para o caso que se arrasta há mais de 25 anos

Há quase três décadas, uma área com mais de dez mil metros quadrados, com quatro prédios inacabados na esquina entre as ruas Jandyr Maia Failace e Dr. Carlos Maria Bins, no Jardim Leopoldina, é motivo de preocupação para os moradores do bairro. O local está tomado por capim e por grande quantidade de lixo. Mesmo cercado, moradores de rua invadiram o espaço, que também tem servido de esconderijo para assaltantes e ponto de prostituição.

Imóvel abandonado no Jardim Leopoldina será vendido
[Foto: Bruna Karpinski]

Mas o início de uma solução para o caso das “carcaças” está bem próximo. Recentemente, a Associação de Moradores e Amigos do Jardim Leopoldina (Amajal) descobriu, através de levantamento feito junto ao Registro de Imóveis, que desde abril deste ano o terreno é de propriedade do Banrisul. Em contato com o setor responsável, o Jornal Via Norte apurou que, em dezembro, a estatal vai anunciar a venda da área.

“O Banco está direcionando esforços no sentido de agilizar a colocação do bem à venda antes do final do ano”, afirma o gerente do Controle de Imóveis do Banrisul, Gilberto Oliveira. De acordo com ele, em breve será publicado no Diário Oficial um aviso de edital de concorrência pública. As informações também estarão disponíveis na agência da avenida Francisco Trein, 427, bairro Cristo Redentor.

Após concretizada, a transação pode ser o início de uma solução para uma história que se arrasta há mais de 25 anos. Segundo Gilberto, o imóvel irá à venda pelo valor inicial de R$ 2.626.000 (dois milhões, seiscentos e vinte e seis mil reais).

Saiba mais: Os moradores contam que o conjunto residencial inacabado teve sua construção iniciada pela construtora Guerino. Devido à falência dessa empresa, as obras não foram concluídas e se encontram, desde então, em estado de abandono. No começo deste ano, a área passou a ser de propriedade do Banrisul, que recebeu o imóvel como forma de pagamento da empresa Ediba.

Publicado originalmente no Jornal Via Norte,
edição 108, outubro de 2011.

12 Setembro 2011

A Zona Norte tem 136 praças, aproveite estes espaços!

Áreas verdes são um bom lugar para prática de atividade física, lazer e convivência. Conheça o trabalho feito pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente (SMAM) para cuidar destes lugares e estimular o bom uso das praças e parques

Circulando pela Zona Norte, a equipe do Jornal Via Norte percebeu que as praças estão mais conservadas nos últimos tempos. As áreas verdes estão mais limpas, com a grama cortada e os canteiros refeitos. Nossa dica é: que tal aproveitar melhor estes espaços para prática de atividade física, lazer e convivência?

Momento de lazer na Praça Torben de Alencastro Friedrich, bairro Lindóia
[Foto: Bruna Karpinski]

Porto Alegre possui 605 praças urbanizadas, nove parques e três unidades de conservação. Deste total, 136 praças estão na Zona Norte da Capital, que juntas têm 722.566 mil metros quadrados, além do Parque Marechal Mascarenhas de Moraes, com 182.383 metros quadrados.

A manutenção tem sido feita periodicamente, de acordo com a região e o uso da área. Cerca de 10% das praças, por exemplo, são limpas diariamente. Há ainda rotinas semanais, mensais, a cada 45 e 60 dias. As rotinas de 45 e 60 dias não ultrapassam 8% das praças.

Cerca de 50 pessoas, entre funcionários de conservação de praças e parceiros fixos, além das equipes das administrações dos parques, integram a equipe que trabalha cuidando destes locais. Anualmente, estima-se que a Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Smam) invista quase R$15 milhões na manutenção das áreas verdes da Capital.

Smam qualifica serviços para estimular o bom uso das praças

Entre os desafios assumidos pelo secretário Luiz Fernando Záchia desde o primeiro dia de gestão, que iniciou em fevereiro desde ano, está o de qualificar a gestão das praças e parques da cidade. Para isso, ele realizou uma radiografia da secretaria e adotou diversas medidas.

Uma delas foi a contratação de um técnico para ocupar o cargo de supervisor de Praças, Parques e Jardins. O profissional escolhido foi o químico Mauro Moura, que atuou por muitos anos na Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam).

Amigos descansam na Praça Gustavo Langsch, bairro Bela Vista
[Foto: Bruna Karpinski]

A qualificação da infraestrutura interna, para melhor atender as demandas externas, foi outra providência. A aquisição do maior caminhão cesto da Smam para aperfeiçoar o serviço de poda, e de um carro para a zonal leste realizar vistorias estão entre as ações.

Para melhorar o serviço de manutenção das praças e parques, o diálogo com as comunidades foi ampliado. A secretaria vem realizando reuniões periódicas com os moradores a fim de definir prioridades e suprir demandas.

“Nosso objetivo é qualificar os serviços prestados, melhorar a qualidade de vida da população e estimular o bom uso das áreas verdes. Para isso, adotamos como rotina de trabalho o diálogo permanente com as comunidades, pois entendemos que o compartilhamento de responsabilidades é imprescindível para o sucesso das nossas ações e para a definição de prioridades”, destacou Záchia sobre a gestão das praças e parques da cidade.

Smam fará melhorias na Praça Libanesa

Em reunião com a comunidade do bairro Jardim Lindóia, realizada na tarde do dia 16 de agosto, na Praça Libanesa, ficou definido que a Smam realizará a abertura de copas de árvores na praça, a fim de melhorar a segurança do local. Também serão realizadas a demarcação dos passeios internos e a colocação de novos brinquedos no playground.

Encontro com a comunidade do Lindóia na Praça Libanesa, ponto central do bairro
e um dos mais antigos locais de convivência entre os moradores

[Foto: Bruna Karpinski]

Ainda foram solicitados alguns ajustes na praça Torben de Alencastro Friedrich, também no bairro Lindóia, como a instalação de placas orientando sobre o recolhimento das fezes dos animais.

Participaram do encontro representantes da Associação dos Moradores e Amigos do Lindóia (Amal) e da Associação do Bairro São Sebastião (Ambass), além de moradores da região e representantes da Smam.

Manutenção de praças
As Gerências Técnicas Zonais coordenam ações em praças, relativas a corte de grama, capina, poda e remoção de resíduos. Para solicitar serviço ligue para 156 ou entre em contato com a Zonal Norte (Avenida Ceará, 1700, bairro São Geraldo) pelo telefone 3325.5444.


Publicado originalmente no Jornal Via Norte,
edição 106, agosto de 2011.

18 Julho 2011

Um amor e duas paixões

Vasques, ex-jogador do São José e Internacional, conta que sempre torceu pelos dois times

Carlos Luiz Vasques sempre viveu na Zona Norte. Desde a década de 80, mora no Parque Santa Fé. Antes, residiu no bairro São João. Aos 62 anos, Vasques, como é conhecido, é ex-jogador do Esporte Clube São José, o Zequinha.

Ainda menino, com cerca de 14 anos, começou jogando no Internacional. Permaneceu no time até 1969, quando foi para o São José, clube que lhe trouxe algumas alegrias.

Chegou a atuar no Sport Club do Recife durante um ano, mas retornou ao São José. Em 1971, capitão do time, foi campeão da Copa Governador – extinto torneio do qual só não participava a dupla Gre-Nal.


Fora dos campos

Vasques jogou profissionalmente até 1980. No ano seguinte, foi convidado a ser treinador do Zequinha. A equipe foi campeã da Segunda Divisão, subindo para a Primeira em 1982. Neste ano, Vasques voltou para o Internacional como preparador físico, função que exerceu até 1985.

Em 1986, voltou para o São José como preparador físico. Nos anos seguintes, até 1989, passou a se dedicar ao futebol de salão em times de Novo Hamburgo, Lagoa Vermelha e Carazinho. “Isso para mim foi uma grande novidade”, lembra.

A partir da década de 90, largou os clubes e passou a atuar como preparador físico de árbitros. Atualmente, dá aulas no curso de árbitros da Federação Gaúcha de Futebol.


Inter ou Zequinha? Os dois!

A trajetória profissional de Vasques foi dividida entre o Esporte Clube São José e o Sport Club Internacional. No coração, não poderia ser diferente. Já que o amor pelo futebol supera as paixões, ele reconhece que sempre torceu pelos dois times.

“Mas, naquela época, nunca disputaram um título, pois faziam parte de séries diferentes. Então, ficava fácil torcer pros dois”, acredita o ex-jogador que há algum tempo já deixou de ir ao estádio.

Vasques estudou Educação Física no IPA. Foi colega de Luiz Felipe Scolari, o Felipão. Ambos fizeram parte da primeira turma de formandos do curso, em 1973.


Um cara família


Casado há 38 anos, tem cinco filhos – as mais novas são trigêmeas. Avô coruja, Vasques tem quatro netos. São dois casais, todos com menos de dois anos. Por isso, ele aproveita pra dedicar bastante do seu tempo a dar atenção para os pequenos.

Publicado originalmente no Jornal Via Norte,
edição 102, abril de 2011.

06 Julho 2011

Crianças precisam pular muro com dez metros de altura para ir à escola

Bruna Karpinski

Os moradores dos Altos do Morro, uma vila irregular com 80 famílias na zona sul de Porto Alegre, estão preocupados com a acessibilidade do local. Há dois meses um muro com dez metros de altura divide a comunidade, pois fechou uma das principais vias de acesso. A barreira foi erguida pelo dono da área, proprietário do Motel Moinho, que fica na avenida Vicente Monteggia, no bairro Vila Nova. Todos os dias, cerca de 200 crianças se arriscam pulando o muro para ir à escola.
[Foto: Luiz Ávila]
De acordo com o presidente da Associação de Moradores Altos do Morro, José César Marques, se as crianças fizerem outro caminho, precisam caminhar três quilômetros, enquanto a distância pulando o muro é de 500 metros. E assim acontece com todas as pessoas que ficaram do lado da rua Cimbídio Santos (beco 4), acabam tendo que se aventurar para fazer qualquer coisa que precisem fora da vila. “Não sobe ambulância, não sobe bombeiros, os idosos doentes também são prejudicados”, explica o presidente.

O irmão de César, Sidnei Marques (foto), acabou quebrando o pé pulando o muro.